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A psicanálise na construção da sétima arte

A psicanálise já nasce abraçada à arte através de alusões a mitos, como o de Édipo, por sua a vez o cinema em seu contexto histórico, é um marco da humanidade que eleva as criações artísticas ao longo de seu crescimento e se constrói a partir delas. Freud, já dizia que o artista transcende o psicanalista. 


Essa relação da sétima arte com a psicanálise se deve ao papel atuante que ambas têm no inconsciente humano, pois o cinema tem a capacidade de tocar o homem em seu espaço mais íntimo e puro da sua natureza.


Como a cinematografia é caracterizado pela união de fotogramas que dá ideia de movimentos de cenas. A psicanálise reúne fragmentos imagéticos proveniente do inconsciente dos pacientes, formando uma cena para chegar ao ponto crítico do problema relatado pelo paciente. Outro tema, em que se assemelham, são a relação que ambos possuem com os sonhos. 


Muitos, cineastas como Federico Fellini, Ingmar Bergman, Andrei Tarkovsky, Stanley Kubrick, entre outros, se inspiraram em conceitos psicanalíticos para realizar seus filmes, alguns costumam fazer autoanálise com frequência.  A linguagem cinematográfica possibilitou que a psicanálise fizesse uma relação com a sua própria evolução, se adaptando e unido seus tratamentos, com as mudanças sociais e culturais.


Para muitos estudiosos a junção entre psicanálise e cinema é um casamento, quase perfeito. Tudo, porque a psicanálise lida com dores, frustrações e sentimentos que estão presos dentro do nosso inconsciente. O cinema trabalha com esses elementos de maneira arrebatadora, pois cria cenas que conseguem refletir situações reais, que estão conexas com a noção do “eu” presente em cada um de nós. O cinema e psicanálise compactuam ideias e ideologias, algo que enriquecem as narrativas e ajuda no tratamento de doenças como depressão e outras patologias.


A psicanálise e a sétima arte se unem na irracionalidade, quando um não procura explicar o outro, e este outro não tenta obedecer à lógica que julga ser psicanalítica. O poder dos cineastas está na catarse que ele provoca no espectador. Nenhuma outra arte é capaz de retratar os sonhos com tanta fidelidade como os filmes.


Quem nunca, assistiu uma produção audiovisual, onde se deparou com pelo menos um ou mais personagens que lhe provocaram um misto de sentimentos e de alguma maneira te impactou. Esses efeitos instigados por imagens cinematográficas, só reafirmam a célebre frase do psicanalista e filósofo francês Felix Gatarri, que dizia que o cinema é o divã do pobre e que muitos filmes são catalisadores de emoções e reflexões sobre a vida. Porque, na verdade o cinema é uma arte que estuda a alma humana.


Por Marcela Servano

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