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Censura e protestos marcam a 52ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

A 52ª Edição do festival de cinema de Brasília vem sendo marcada por protestos e manifestações de censura. A abertura, que aconteceu na última sexta-feira (22), já trouxe a insatisfação contra o que vem sendo feito com a cultura não só em escala nacional, mas também municipal e estadual. 


Na própria sexta-feira, ouviram-se vaias contra o secretário de Cultura do Distrito Federal. Isso se deu devido aos cortes que vêm sendo feitos no setor; ao protestar contra tais cortes no palco, o ator Marcelo Pelúcio foi interrompido por um segurança que tirou seu microfone a mando da organização do evento. O som também foi cortado. 


Em sua terceira noite, o festival ainda recebeu expressões de descontentamento contra o que vem sendo feito. Ao apresentarem o longa A Febre (de Maya Da-Rin), a equipe se manifestou e o produtor Leonardo Mecchi leu a Carta dos Artistas Brasilienses inteira, o que Pelúcio fazia quando foi interrompido. 


A equipe fez questão de se posicionar contra o impedimento à liberdade de pensamento. É importante salientar que o filme A Febre vem fazendo muito sucesso no circuito de festivais nacionais e internacionais. A diretora Maya Da-Rin também acrescentou seu desprazer diante das tentativas - algumas já concretizadas - contra o incentivo ao cinema e cultural no geral. 


Ainda mostrou sua preocupação com as atitudes tomadas pelo governo quando fala-se de ataques a povos indígenas. Seu filme tem atores indígenas como protagonistas e em sua estreia no Festival de Locarno, na Suíça, recebeu três prêmios, como o de melhor interpretação masculina para o protagonista interpretado por Regis Myrupu.


Muitos outros artistas, entre produtores, diretores e atores, também vêm deixando claro a forma como se sentem diante de tantos ataques contra à cultura e liberdade. Apesar do acontecimento, muitas produções nacionais vêm sendo apresentadas pelo Festival. E é importante dar voz aos artista que não têm medo e se manifestam contra qualquer tipo de censura que se faça. Dessa forma, apesar de o poder daqueles que desejam calar a arte ser grande, será difícil conseguir. E isso importa!


Por Mariana R. Marques

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