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CRÍTICA | Ad Astra

Um misto entre 2001: Uma Odisséia no Espaço e Apocalypse Now, o filme de ficção científica indicado à melhor mixagem de som no Oscar deste ano pode ser considerado para muitos como pacato, pela sua falta de ação e excesso de intimidade, porém, ao mesmo tempo, reflexivo, ponto esse enaltecido em tempos de isolamento social.


O filme tem Roy (Brad Pitt) como seu protagonista, um homem que seguiu os passos de seu pai (Tommy Lee Jones) tornando-se um astronauta. Extremamente preparado, centrado, e lógico, Roy também é um major condecorado e um piloto experiente e amplamente conhecido.


Desde o primeiro instante somos apresentados a proposta introspectiva do longa através da narração do astronauta a cada situação enfrentada. O raciocínio lógico e a frieza são elementos enfatizados, e logo justificados pelo fato de Roy ter crescido com um pai ausente em todos os aspectos possíveis, além de partilhar de sua total devoção à vida profissional, abdicando completamente qualquer outro tipo de relação interpessoal.


Clifford McBride (Lee Jones), um lendário astronauta que dedicou sua vida à missão de encontrar vida inteligente em Netuno e sumiu misteriosamente há décadas ao se aproximar de seu destino, até então dado como morto, é o maior suspeito por sobrecargas cósmicas que ameaçam a vida tanto na Terra quanto em Marte (também colonizado). É nesse cenário que Roy é forçado a lidar com seu emocional, até então enterrado e representado apenas em flashbacks de sua relação infeliz com sua esposa Eve (Liv Tyler).


Contatado pelo alto escalão da SpaceCom, instituição que faz parte, Roy tem como missão resolver o mistério sobre o paradeiro de seu pai, além de lutar para preservar a imagem do mesmo, que, caso vivo, pode ser alterada de herói para vilão.


O filme beira à melancolia na maior parte do tempo, tendo em seu protagonista alguém que não demonstra sequer empatia pelas pessoas que morrem ao seu redor, afinal, para ele, faz parte da missão. Porém sofre por não conseguir manter a mesma neutralidade quando o assunto é a figura misteriosa de seu pai.


A grande sacada em seu desfecho é a reflexão e a ironia em que somos colocados: Quão longe você precisa se afastar para perceber a falta que o mundo lhe faz? Ou você pode se sentir vivo e completo mesmo tendo apenas o vácuo ao seu redor como companhia?


Essas perguntas surgem a bilhões de quilômetros da terra, porém se aplicam muito bem no nosso cenário atual, onde muitos de nós tiveram que aprender a se isolar, no entanto outros já viviam, por opção, diferentes tipos de isolamento.


Ad Astra: Rumo às Estrelas é um entretenimento em ritmo lento e que não te faz apenas refletir questões existenciais, mas também o futuro, por se basear muito bem em onde a tecnologia poderá nos levar daqui alguns anos, seja para o bem, ou para o mal.


 


Por Larissa Stubbe

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