Crítica | Spinning Out - InC | Instituto de Cinema | Cursos de Cinema e Atuação

Instituto de Cinema de SP

Crítica | Spinning Out

A nova série da Netflix, Spinning Out, conta a história da protagonista Kat Baker (Kaya Scodelario), uma patinadora profissional que sofreu um acidente grave durante a última competição. A memória do acidente ainda a assombra e, para superar essas dificuldades e ter uma chance de continuar competindo, Kat muda a categoria em que compete e aceita a parceria de Justin (Evan Roderick).


Kat, porém, possui outro desafio em sua vida: lidar com seu transtorno bipolar, condição herdada de sua mãe Carol (January Jones), e que deve ser mantida em segredo por inúmeros motivos, mas principalmente em razão do esporte de patinação artística ser muito atrelado à imagem dos atletas.


Ao contrário do que pode parecer, Spinning Out não é apenas a típica série adolescente repleta de reviravoltas dramáticas e competições nas quais o espectador sabe que a protagonista será vitoriosa. Apesar de não faltarem esses elementos, o tema principal dessa nova aposta do streaming, além da própria carreira dentro deste esporte, é saúde mental.


O roteiro e a atuação da série merecem destaque. Direto, e por vezes frio como o próprio gelo em que os personagens se sustentam, o roteiro aborda a dificuldade de se viver com transtorno bipolar através da perspectiva da protagonista e sua mãe, sendo que esta última se recusa a tomar seus remédios. A condição de ambas também é retratada sob o ponto de vista da irmã de Kat, Serena (Willow Shields), a única que sabe desse segredo e, por vezes, é feita de alvo.


Com um clima tenso, para além do drama adolescente, o roteiro patina também por temas como racismo, a relação entre treinadores e atletas (por vezes preocupante, com suspeitas de abuso) e homossexualidade, mas sem muita profundidade, deixando claro que o objetivo da série é discutir os transtornos psicológicos dos personagens. 


Além disso, alguns outros elementos trazidos pela produção, como a participação do bicampeão olímpico Johnny Weir e coreografias da vencedora do Emmy, Sarah Kawahara, dão à série um brilho e credibilidade ainda maiores. 


Apesar de tudo, a Netflix recentemente anunciou o cancelamento da série, após apenas 1 temporada. Infelizmente, a nova aposta do streaming - que conta com 63% no agregador de críticas do Rotten Tomatoes - não atingiu o número esperado de espectadores, e a notícia foi confirmada pelo perfil oficial da série no Twitter.


 


Por Ana Clara P.S.M.O

voltar