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CRÍTICA | The Eddy: Paris no ritmo do jazz

The Eddy nos conta a história de Elliot Udo (André Holland), um famoso artista que largou os palcos para gerir um clube de jazz em Paris, junto a seu sócio Farid (Tahar Rahim). Elliot é uma pessoa perturbada, que carrega consigo fantasmas do passado, que o acompanham e dificultam seus relacionamentos. Tudo começa a piorar com a chegada de sua filha Julie (Amandla Stenberg), e um crime que coloca o clube em risco.


A série, ambientada na Paris atual, não se propõe a mostrar a Cidade Luz através de seus famosos bairros e monumentos. A Paris que nos é mostrada é repleta de diferentes culturas e famílias, ambientes e costumes. A riqueza que habita na cidade é traduzida através do elenco, rico em diversidade, um reflexo bonito e sincero da realidade, nos mostrando também a desigualdade e os preconceitos que existem num mundo tão diversificado.


A história nos é contada ao longo de 8 episódios, cada um mostrado através do olhar de um personagem diferente, e isso acaba contribuindo muito no desenvolvimento de cada um, nos convencendo e envolvendo em seus conflitos e dilemas. Esse desenvolvimento, na verdade, acaba se tornando a maior força da série, combinado a atuações orgânicas e bem encaixadas, que encontram ritmo junto a música que é tocada. Essa que se torna um personagem a parte, conduzindo a narrativa com notas e performances que tiram o fôlego e empolgam. Isso acontece pois os músicos que compõem a banda do clube não são atores profissionais, mas sim músicos na vida real.


Segundo a atriz Joanna Kulling, que interpreta Maja, a voz principal no conjunto de The Eddy, o diretor Damien Chazelle (La La Land, 2016), treinava os músicos com exercícios a fim de deixar suas atuações orgânicas e naturais, sem se prender em “atuações perfeitas”. Os diretores incentivavam os atores a improvisar durante as cenas, o que deixava tudo com um ar de liberdade criativa, um tom que combinou perfeitamente com o jazz na série.


A criação do projeto partiu do musicista Glen Ballard (vencedor de 6 Grammy) e do roteirista Jack Thorne (Extraordinário, 2017), e tem a direção por conta de Houda Benyamina, Laïla Marrakchi, Alan Poul e Damien Chazelle, sendo o último vencedor do Oscar de melhor direção por La La Land, em 2016.


 


A produção leva um tom documental, fazendo o uso de filme 16mm, uma conquista de Chazelle. A técnica de filmagem casa com o tom da série, trazendo uma fluidez para as cenas, que trazem longos planos desde a cena inicial.


The Eddy possui um ritmo lento, com uma história principal arrastada, porém eficiente o bastante para ligar as tramas pessoais de cada personagem, o que faz com que a série apresente atuações sólidas, nos mostrando personagens interessantes e humanos.


 


Por Pedro Dourado.

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