CRÍTICA | Todas as Mulheres do Mundo - InC | Instituto de Cinema | Cursos de Cinema e Atuação

Instituto de Cinema de SP

CRÍTICA | Todas as Mulheres do Mundo

Todas as Mulheres do Mundo é a mais nova aposta da Globoplay, escrita por Jorge Furtado e Janaína Fischer, com a direção artística de Patrícia Pedrosa (Shippados). Baseada em diversas obras de Domingos Oliveira, especialmente o filme homônimo de 1966, a série presta homenagem ao cineasta e dramaturgo brasileiro, que faleceu no início de 2019.


Durante 12 episódios, acompanhamos a vida de Paulo (Emilio Dantas), um arquiteto e poeta carioca que se apaixona de maneira tão rápida e intensa que chega a ser motivo de piada entre seus melhores amigos, Laura (Martha Nowill) e Cabral (Matheus Nachtergaele). Porém, tudo parece mudar quando ele conhece Maria Alice (Sophie Charlotte) em uma festa de Natal. A bailarina e professora de dança parece ser a mulher perfeita e Paulo, como sempre, se apaixona no mesmo instante em que a vê. 


A cada episódio, contudo, conhecemos novos amores de Paulo, que se envolve emocionalmente com cada uma dessas mulheres, fazendo o público se encantar junto com ele. Nesse quesito, é preciso destacar o trabalho incrível da diretora de arte Patrícia Pedrosa, que teve a ideia de escolher o elenco das “paixões” de Paulo com atrizes pouco conhecidas, justamente para que o público realmente se apaixone à primeira vista com o trabalho delas. 


Logo de cara é possível imaginar o desafio de adaptar uma obra cujo protagonista se envolve com diversas mulheres, mas não seja visto como “mulherengo”, especialmente em razão do momento atual de consciência da luta e empoderamento da mulher. Por isso o olhar da diretora de arte foi tão importante, além do fato de que cada personagem feminina é muito bem desenvolvida e aprofundada, todas completamente independentes e com objetivos tão claros que, ao mesmo tempo em que despertam o amor em Paulo, trazem à tona também um lado sombrio do protagonista.


Essa dualidade é muito bem trabalhada no arco de Paulo, que é intenso tanto no amor, quanto no sofrimento, traduzindo seus sentimentos em poesia. E são essas poesias, além do personagem de Matheus Nachtergaele, que deixam transparecer um roteiro extremamente poético e sensível, abordando diversas reflexões sobre a vida, mas especialmente sobre o amor, grande tema da obra. Para muito além do amor romântico e as aventuras de Paulo com cada uma de suas paixões no decorrer dos episódios, o amor entre amigos, entre familiares, as diferentes formas de amar e o fato de não haver qualquer regra para nada disso são mais alguns dos temas trabalhados. 


Outros dois pontos que merecem destaque são a fotografia e a trilha sonora. As cores e o enquadramento das cenas em conjunto com as músicas que, em sua maioria são interpretadas por mulheres e cujas letras descrevem perfeitamente o sentimento dos personagens, contribuem com o tom leve e realmente apaixonante da série. Além disso, o ritmo da obra é extremamente fluido, e a passagem do tempo não é demarcada, sendo possível percebê-la apenas através dos diálogos e festividades, de forma sutil, reforçando a naturalidade do enredo.


Com reflexão e poesia por trás de tudo, a primeira temporada da série está disponível na Globoplay. Não deixe de conferir e se apaixonar por todas as mulheres do mundo!


 


Por Ana Clara P.S.M.O.

voltar