Instituto de Cinema de SP

CRÍTICA | Workin' Moms

Quantas pessoas uma mulher precisa ser para acompanhar as exigências da sociedade pós-moderna? De forma extremamente bem humorada, é essa a pergunta que repercute em todos os episódios de Workin’ Moms. Criada pela atriz e roteirista Catherine Reitman, que também a protagoniza, a série canadense faz um retrato real e hilário da maternidade no século XXI.


Sem glamourizações, acompanhamos um grupo de mulheres que, com seus filhos recém-nascidos, precisam conciliar as suas múltiplas jornadas de trabalho, no escritório e em casa. Com críticas ácidas, um roteiro bem construído ao longo das quatro temporadas, sempre assertivo em seu tom cômico, e personagens femininas fortes e complexas, a série, além de interagir com um público muitas vezes excluído e ignorado, é capaz de agradar as mais diversas audiências, trazendo o tema da maternidade contemporânea para a pauta da indústria audiovisual.


As personagens principais, cada uma a seu modo, cativam em experiências que variam do mais relacionável dia a dia, a situações absurdas e inimagináveis, como cruzar com um urso em uma corrida matinal - apenas uma das inúmeras gargalhadas que o primeiro episódio arranca. Mulheres na faixa dos trinta anos que enfrentam os desafios da maternidade, dos relacionamentos, do mercado de trabalho, e das suas próprias evoluções e revoluções como mulheres independentes e livres.


Kate, Anne, Frankie e Jenny desmistificam a maternidade ao mesmo tempo em que a desbravam. E dessa forma a sitcom, sem perder seu tom leve, aborda temas importantes que sempre foram considerados tabus, ou, na máxima da indústria audiovisual, “desinteressantes para o público”. Gestação, puerpério, amamentação, aborto, depressão pós-parto, a criação dos filhos, adolescência, uma série de assuntos que ainda só começaram a ser explorados nas telas, e que são inseridos de forma decisiva na trama.


Workin’ Moms dá um show no que se refere a representação da maternidade e da feminilidade hoje, e mostra como novos olhares por trás das câmeras são capazes de criar obras originais e relevantes. Superando uma indústria machista, e demonstrando o sucesso que se pode atingir quando se abre o diálogo para com públicos diversos, a série já é um absoluto sucesso ao redor do mundo e aguarda uma quinta temporada.


Todos os episódios já lançados estão disponíveis na Netflix, não deixe de conferir!


 


Por Isabella Thebas.

voltar