Instituto de Cinema de SP

Lista | 10 filmes italianos clássicos

Assim como em muitos outros países ao redor do mundo, o cinema italiano começou logo em seguida da projeção dos irmãos Lumière em 1895. Assim, já no ano seguinte foi rodado o primeiro filme italiano, um documentário chamado Umberto e Margherita de Saboia caminhando no parque, por Vittorio Calcina. Durante os primeiros anos, as obras eram focadas na história do próprio país e personagens históricos como nos filmes A Queda de Roma (1905) e Antônio e Cleópatra (1913).


Após passar por diversos movimentos, como  Futurismo, foi durante o regime fascista que as histórias de pessoas comuns passaram a ser exibidas nas telonas. Entre os diretores mais famosos da época estava, por exemplo, Luchino Visconti, que enfatizou este movimento com seu filme Ossessione, e Roberto Rossellini com Roma, Cidade Aberta (1945). Em seguida, outros gêneros foram surgindo, como a comédia, com Mario Monicelli.


Mas foi entre as décadas de 1950 e 1980 que o cinema italiano viveu seus anos mais promissores. Foi neste período em que as obras dos cineastas Vittorio De Sica, Federico Fellini e Sergio Leone ganham vida e conquistaram o público.


Confira abaixo a lista de 10 filmes clássicos imperdíveis para quem quer conhecer o cinema italiano!


Cinema Paradiso - Giuseppe Tornatore (1988)


Nesse clássico do cinema italiano, o menino Totó (Salvatore Cascio/Marco Leonardi) se encanta pelo cinema e inicia uma grande amizade com o projecionista de sua pequena cidade, Alfredo (Philippe Noiret), que se torna sua figura paterna. Já adulto e agora um cineasta bem-sucedido, uma notícia inesperada faz Totó relembrar de sua infância e saudosa relação com o mentor.


Alguns dos prêmios recebidos incluem o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, o Prêmio César de Melhor Poster e o Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes.


Ladrões de Bicicleta - Vittorio De Sica (1948)


O até então desempregado Antonio Ricci (Lamberto Maggiorani) finalmente encontra trabalho colocando cartazes pela cidade de Roma, destruída pela guerra. Porém, precisa recuperar sua bicicleta de uma loja de penhor e, para isso, sua esposa Maria (Lianella Carell), vende os lençóis da família. O que Antonio não esperava era ter sua bicicleta roubada no primeiro dia de trabalho. Desesperado, inicia uma busca por sua bicicleta pela cidade e acompanhado de seu filho Bruno (Enzo Staiola) 


Dentre diversos outros prêmios, o longa foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro, bem como recebeu o Oscar Honorário de Melhor Filme Estrangeiro no ano de 1950.


La Dolce Vita - Federico Fellini (1960)


O filme franco-italiano foi apresentado em Cannes em 1960 logo se tornou um sucesso de crítica. Acompanhamos as aventuras de Marcello (Marcello Mastroianni), um jornalista que escreve para tablóides sensacionalistas, quando passa a cobrir a visita da atriz hollywoodiana Sylvia Rank, por quem fica fascinado. Entre festas e eventos frequentados pela elite da cidade, como herdeiros e celebridades, o protagonista passa por um processo de autoconhecimento, descobrindo um novo sentido para sua vida em meio a todas as situações em que se envolve.


O filme é uma crítica social à sociedade da época, mas que pode, facilmente, ser traduzida para os tempos modernos, se mantendo atual até hoje. Indicado ao Prêmio BAFTA de Melhor Filme e ao Oscar de Melhor Roteiro Original, La Dolce Vita foi o vencedor do Oscar de Melhor Figurino Preto e Branco, dentre outros prêmios. O longa foi também considerado um dos 1000 melhores filmes de todos os tempos pelo The New York Times em 2004.


Roma, città aperta - Roberto Rossellini (1945)


Neste filme, a ocupação nazista alemã de Roma é o pano de fundo para a trama que envolve relações pessoais inspiradas em fatos reais. A história retrata Giorgio Manfredi (Marcello Pagliero), um dos líderes da Resistência procurado pelos nazistas. Giorgio se esconde no apartamento de Francesco (Francesco Grandjacquet) e pede ajuda à sua noiva, Pina (Anna Magnani), que está grávida. O líder planeja deixar um padre católico, Don Pietro (Aldo Fabrizi), fazer a entrega do dinheiro que envolve seu plano. Porém, Francesco é preso pelos alemães e levado para um caminhão. A cena seguinte, na qual Pina corre em sua direção na rua, se tornou uma das mais famosas do cinema italiano. 


O filme ganhou vários prêmios, incluindo o Grand Prix de Cannes e foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.


Le Notti di Cabíria - Federico Fellini (1957)


Ambientado nas ruas de Roma, acompanhamos Cabíria (Giulietta Masina), uma jovem prostituta em busca de um grande e verdadeiro amor. Insistente e esperançosa, a jovem acaba encontrando o que procurava em um local bastante peculiar.


Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e indicado ao Prêmio BAFTA de Melhor Filme, bem como de Melhor Atriz Estrangeira.


Un americano a Roma - Steno (1954)


Esta comédia italiana é uma sátira da americanização. Protagonizado por Alberto Sordi no papel de Nando Morione, o longa é repleto de cenas divertidas do rapaz. Nando é romano, do bairro de Trastevere, e completamente fanático pelos Estados Unidos, tanto que tenta sempre se comportar como um típico americano. O fanatismo e as atitudes de Nando, que incluem seu modo de vestir, falar inglês, as refeições (aqui temos a memorável cena do macarrone) e dançar como Gene Kelly, acabam enlouquecendo sua família e a namorada. 


Três Homens em Conflito - Sergio Leone (1966) 


Um dos principais filmes do subgênero spaghetti western, Três Homens em Conflito é, na verdade, co-produzido entre companhias da Itália, da Espanha, da Alemanha Ocidental e dos Estados Unidos. Foi o último filme estrelado por Clint Eastwood em parceria com o diretor italiano Sergio Leone (os outros dois são “Por um Punhado de Dólares” e “Por uns Dólares a Mais”). 


Neste longa, Clint Eastwood é o Homem sem Nome, um pistoleiro que se alia a dois bandidos para tentar tomar posse de uma grande quantidade de ouro em meio à Guerra Civil americana. A canção original, composta pelo famoso maestro italiano, Ennio Morricone, se tornou icônica e reconhecida mundialmente.


A Vida é Bela - Roberto Benigni (1997)


Durante a Segunda Guerra Mundial na Itália, o judeu Guido (Roberto Benigni) e seu filho Giosué (Giorgio Cantarini) são levados para um campo de concentração nazista. Longe da esposa, ele usa a imaginação para proteger o filho de toda a violência que os cercam, fazendo a criança acreditar que estão participando de uma grande brincadeira.


A emocionante trama concorreu com o filme nacional “Central do Brasil” no Oscar de 1999 e levou a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro, além das categorias de Melhor Ator, Melhor Trilha Sonora e mais de 20 outros prêmios.


A Garota com a Pistola - Maria Monicelli (1968) 


Nesta comédia, acompanhamos Assunta Petanè (Monica Vitti), uma garota que luta para se casar com o garoto que lhe tirou a virgindade, no intuito de manter a honra da família. Após sua mãe lhe dar uma pistola para ir atrás dele, Assunta inicia uma perseguição e só pode voltar para casa depois de se casar ou matá-lo. O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e venceu o prêmio David di Donatello de Melhor Produtor e de Melhor Atriz para Monica Vitti.


8 ½ - Federico Fellini (1963)


O diretor de cinema Guido Anselmi (Marcello Mastroianni) está prestes a rodar sua próxima obra, porém ainda sem ideias para o filme. Pressionado por sua mulher, sua amante, produtor do filme e os próprios amigos, o diretor mergulha no trabalho a ponto de delirar, misturando ficção com realidade.


A obra de Fellini recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Figurino Preto e Branco, além do Prêmio Bodil de Melhor Filme Não-Americano e do National Board of Review de Melhor Filme Estrangeiro.


 


Por Ana Clara P.S.M.O.

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