Instituto de Cinema de SP

Lista | Terror Brasileiro

Desde antes de sua criação, o cinema de horror está associado ao medo. Nos é contado que o curta “A Chegada de um Trem à Estação” (1896), dos irmãos Lumière, fez com que os espectadores corressem da sala com medo que o trem da tela os atropelasse. No caso, o pavor das pessoas era aquilo que as deslumbrava, as novas tecnologia, aquilo que era diferente. Naquele mesmo ano, foi lançado o que muitos consideram o primeiro produto audiovisual de terror, mesmo que sem ter essa definição na época. A Mansão do Diabo foi uma produção de Georges Méliès, onde o mesmo interpretava o demônio da Idade Média Mefistófoles, que assombrava os moradores de uma mansão.


Hoje em dia, o horror se encontra, na maioria das produções, em prezar pela complexidade, colocando em discussão temas e ideias cada vez mais relevantes, gerando longas como Corra! (2017), Hereditário (2018), A Bruxa (2015) e Midsommar (2019).


No Brasil, o gênero teve seu destaque principalmente nos anos 1960, com o cineasta José Mojica Marins, que trouxe, junto a seu personagem Zé do Caixão, filmes como À Meia-Noite Levarei Sua Alma, de 1964, e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, de 1967.


Porém, o horror no cinema brasileiro não se limita às importantíssimas obras de Mojica, e diferente do que se pensa, continua trazendo grandes e relevantes obras até os dias de hoje.


Morto não fala (2018)


Dirigido por Dennison Ramalho, o filme conta a história de Stênio (Daniel de Oliveira), um plantonista noturno de um necrotério em São Paulo que possui a capacidade paranormal de conversar com os mortos. Acostumado com as conversas que seu dom lhe proporcionam, Stênio começa a receber confidências da sua própria vida, e a partir desse momento, percebe que uma maldição recaiu sobre ele e sua família.


Inicialmente escrito para ser um seriado da Globo, o filme de Dennison Ramalho surpreendeu e conquistou público e crítica ao redor do mundo em 2018, e acabou conquistando diversos prêmios, como o de Melhor Longa Metragem Latino Americano no Morbido Fest no México, e o prêmio de Melhores Efeitos Especiais no Nocturna Madrid Film Festival na Espanha.


À Meia-Noite levarei sua alma (1964)


Dirigido e estrelado por José Mojica Marins, o filme é o primeiro da trilogia do Zé do Caixão, e conta a história do coveiro Josefel Zanatas, mais conhecido apenas como Zé do Caixão, que atormenta os moradores de uma pequena cidade de interior, buscando gerar um filho perfeito, a fim de continuar sua linhagem sanguínea. Porém, sua mulher não consegue engravidar, e ele decide então violentar a esposa de seu melhor amigo,Terezinha (Magda Mei). A moça então resolve se vingar, se suicidando para regressar do mundo dos mortos e levar a alma de Zé do Caixão.


O filme foi vencedor do Prêmio L\'Ecran Fantastique pela originalidade, do Prêmio Tiers Monde da imprensa na Convention du Cinéma Fantastique e do Prêmio Especial no Festival de Cine Fantástico y de Terror de Sitges. Além disso, o filme é amplamente reconhecido como um dos mais importantes no cenário nacional, entrando na lista feita pela Abraccine dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.


Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967)


Continuação de À Meia-Noite Levarei Sua Alma, aqui Mojica dá vida mais uma vez a seu icônico personagem Zé do Caixão, que na trama, é inocentado por seus atos anteriores, e dá seguimento em sua jornada em busca da procriação perfeita. Ele então decide raptar 6 mulheres do povoado onde trabalha, colocando a população em estado de alerta. Zé do Caixão testa as 6 jovens, submetendo-as a diversos testes de tortura, para então decidir quem dará a luz a seu descendente.


O filme foi censurado na época, mas ainda assim marcou o cinema brasileiro.


Mangue Negro (2008)


Escrito e dirigido por Rodrigo Aragão, o filme conta a história de Luís (Walderrama dos Santos) e Raquel (Kika de Oliveira). Luís é apaixonado pela moça, mas, tímido, não tem coragem de se declarar. Porém, uma contaminação zumbi se espalha pelo mangue, transformando pescadores de uma pobre comunidade em monstros devoradores de carne humana, e Luís precisa então proteger sua amada.


Gravado no estado do Espírito Santo, o filme recebeu diversos prêmios de efeitos especiais e direção em vários festivais, além de vencer o "Prêmio Audiência do Rojo Sangre", na Argentina, e fazer parte da seleção oficial do "Sci Fi London" na Inglaterra.


O Animal Cordial (2017)


Escrito e dirigido por Gabriela Amaral Almeida, aqui nos é apresentada a história de Inácio (Murilo Benício), um arrogante e mal-educado gerente de um restaurante em São Paulo. Certa noite, durante o fim do expediente, o restaurante é invadido por dois ladrões armados, que fazem os funcionários e alguns clientes de reféns. Cabe então à Inácio e a garçonete Sara (Luciana Paes) encontrar meios para controlar a delicada situação e lidar com a insegurança e cobrança dos clientes que ainda estão na casa.


O filme rendeu diversos prêmios nacionais, principalmente devido às atuações. Murilo Benício recebeu o prêmio de Melhor Ator no Festival do Rio em 2017, Luciana Paes ganhou o prêmio de Melhor Atriz e Gabriela Amaral Almeida o de Melhor Diretora no Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre em 2018. Além disso, o filme também foi nomeado em seis categorias no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2019, como Melhor Ator, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original.


Encarnação do Demônio (2008)


41 anos depois de “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver”, Mojica volta a dar vida a Zé do Caixão, que na trama, acaba de ser solto de um manicômio após 40 anos preso. Ele então vai para um covil dentro de uma favela, e decidido a encontrar a mulher certa para gerar seu herdeiro ideal, entra em conflito com moradores locais, além de travar uma violenta guerra com Osvaldo Pontes (Adriano Stuart), um capitão de polícia odiado pelos moradores da favela por ter invadido o local e executado crianças.


O filme marca o fim da trilogia do Zé do Caixão, o personagem tão consagrado de Mojica. O longa venceu o prêmio de Melhor Filme pelo júri no Festival de Cinema de Sitges na Espanha, além de diversos outros reconhecimentos dentro e fora do Brasil.


Quando eu era vivo (2014)


Com direção de Marco Dutra, o filme conta a história de Júnior (Marat Descartes), um homem que perdeu o emprego e terminou o casamento, indo então morar na casa dos pais. Lá, Júnior aceita dormir no sofá, por conta da presença de uma nova inquilina em seu quarto: Bruna (Sandy Leah), que se torna seu interesse romântico imediatamente. Porém, Júnior acaba passando os dias se lamentando pelas coisas que perdeu, e decide remoer o passado, época que guarda com grande apreço. Assistindo as antigas VHS da mãe, Júnior delira nas memórias, e começa a misturar a realidade com as lembranças, mergulhando de cabeça em mistérios do passado, envolvendo rituais e brincadeiras ocultistas da família.


Além de ter sido amplamente elogiado, o filme conquistou prêmios no Festival Internacional de Roma e na Mostra de Cinema de Tiradentes.


O Lobo atrás da Porta (2013)


Escrito e dirigido por Fernando Coimbra, o filme conta a história do desaparecimento da pequena Clara (Isabelle Ribas), acontecimento que faz com que os pais, Bernardo (Milhem Cortaz) e Sylvia (Fabiula Nascimento), recorram à polícia. O caso fica nas mãos do Delegado (Juliano Cazarré), que decide então dar início a uma série de interrogatórios, que passam desde os pais até a amante de Bernardo. O que se segue é um desenrolar de depoimentos que aos poucos começa a dar forma a uma trama além do esperado, surpreendendo e desafiando o delegado.


O filme teve um amplo reconhecimento no cenário nacional e internacional, recebendo, além de diversos prêmios fora do país, sete Grande Otelos no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2015, como os prêmios de Melhor Longa-Metragem de Ficção, Melhor Direção e Melhor Roteiro Original.


 


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Por Pedro Dourado.

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