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Meu nome é Daniel | O documentário autobiográfico de Daniel Gonçalves é reflexivo, divertido e essencial

Vez ou outra surgem destaques no mundo das produções audiovisuais. Hoje falaremos sobre um deles: Meu nome é Daniel. Apesar de sua estreia ter sido em 17 de outubro e já não estar disponível em tantas salas de cinema por São Paulo, é preciso enaltecer a criação de Daniel Gonçalves, o responsável pela direção e também personagem principal dessa história. 


A gente bem sabe que filmes não tradicionais muitas vezes acabam sem visibilidade, mesmo que dentro do circuito comercial e espalhados por alguns cinemas. É o caso do documentário feito por Daniel, que se afirma em primeira pessoa. Daniel, que é um cineasta de 35 anos, conta a história de sua vivência com uma deficiência ainda não identificada pelos médicos. 


No documentário a gente acompanha imagens de arquivo de Daniel desde criancinha, em meio à sua família, na escola e em festas. Acompanhamos seu crescimento e idas ao médico na busca por um diagnóstico, que até hoje não existe. Sabe-se que a deficiência afeta sua coordenação motora, mas o próprio Daniel questiona na produção: “afinal, o que eu tenho?”. 


A ideia de fazer um longa-metragem autobiográfico surgiu quando seu curta Como Seria?, onde imagina sua vida sem a deficiência, viralizou nas redes e chegou até a ter um trecho passado no Encontro com Fátima Bernardes. Daniel pensou “tenho mais história para contar”, e assim surgiu o documentário Meu nome é Daniel, que já foi reconhecido e premiado até internacionalmente, como com melhor documentário no Festival de Cinema Brasileiro de Los Angeles.


Também pudera esse sucesso todo, já que Daniel tem um histórico muito feliz no audiovisual. Soma curtas como Tem Bala Aí?, onde mostra sua experiência em uma rave; Luz Guia, Pela Estrada Afora e o já citado Como Seria?. Além de trabalhos enquanto editor de programas para a TV. 


Meu nome é Daniel reflete a personalidade de seu diretor, que não enxerga o vitimismo e estereótipo de coitadinho como sentimentos positivos. Em determinado momento do filme, Daniel nos conta que um dia um casal disse “coitadinho” pra ele, ao que respondeu “coitadinho é o caralh*”. 


Daniel foi o convidado do programa Conversa com Bial na última quinta-feira (24), onde falou muito sobre a produção e mostrou a forma como lida com toda a questão ao redor de sua deficiência. “Eu não me percebo diferente de você, por exemplo. No meu dia a dia não me percebo diferente, a não ser quando tenho que fazer algo muito específico”, disse a Bial. 


O documentário nos traz um retrato real da vivência de Daniel, e através de sua sincera direção, conhecemos uma história de 35 anos. Para o cinema, criações dessa forma são essenciais e especiais, daí o nosso compromisso em enaltecer. Corre pra assistir, ainda tem disponível em algumas cinemas. Logo abaixo deixamos o trailer pra você sentir um gostinho do que é a produção! 


Por Mariana R. Marques

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