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Precisamos falar sobre Leandro Caproni

Precisamos falar sobre Leandro Caproni! Ele carregava em si uma vontade que muitos de nós, amantes do audiovisual, carregamos. Mostrar pessoas, situações, lugares e, a vida em si, através de uma lente. Um dos maiores motivos para celebrar sua vida é o fato de que Leandro fez parte de obras que alcançaram isso. 


Leandro teve sua vida e carreira interrompidas em um acidente provocado pela irresponsabilidade alheia na última terça-feira (22). Uma decisão mal pensada de um jovem sem CNH custou sua existência. Mas o que pretendo fazer aqui é celebrá-la. Leandro deixa para o mundo um legado em seus arquivos digitais de obras já produzidas e, sobretudo, na história de quem se tornou. 


Um jovem negro vindo da zona leste, Vila Matilde, que teve seu primeiro trabalho no audiovisual - O Complexo de Vira-Latas - na Universidade São Judas Tadeu, onde se formou em Rádio e TV em 2014. Foi lá, aliás, que conheci Leandro, quando fazia o mesmo curso em 2017. Me lembro bem da euforia mostrada por todos os jovens ao assistirem seus trabalhos e ouvi-lo falar sobre a realização de cada um numa palestra. 


Além do imenso talento apresentado por ele, a euforia aconteceu porque foi possível enxergar alguém próximo fazendo produções incríveis e chegando a lugares que muitas vezes jovens - principalmente negros e periféricos, não conseguem. Leandro era e continuará sendo mais uma importante figura de representação para tais. 


Em 2013 criou sua própria produtora, a Sem Cortes Filmes, que o permitiu crescer no audiovisual e fazer produções extremamente importantes para a realidade paulistana, já que estavam em constante crescimento e se tornando grande parte da produção independente por aqui. 


Dentre a lista de obras feitas por Leandro, temos: Morada, um documentário sobre a realidade de moradores de cortiço; Fotografar, sobre a fotografia em novas plataformas, e Resisto, que aborda a importância dos Black Panthers para o movimento negro brasileiro. Caproni também fez produções para a CUT (Central Única dos Trabalhadores). 


Em 2018 foi diretor de fotografia do documentário Negrum3, que recebeu diversos prêmios e indicações por aí, inclusive para a fotografia de Leandro. Já falamos do filme por aqui, lembra? Ele foi o vencedor do Shortcup World Film Festival, realizado no Instituto de Cinema esse ano. 


Essa é uma homenagem à memória de alguém essencial para a existência de tantos outros. Leandro andou por aí viajando, criando e registrando tanta coisa que importa nessa vida, e acabou se tornando referência. O que aconteceu com ele é o reflexo de uma sociedade toda desajustada. Fica pra gente a importância de uma vida sem cortes. Fica pra gente, além de todas as lembranças, imagens captadas por essa pessoa talentosa e que se importava com o bem e usava o audiovisual como ferramenta para levá-lo adiante.


Por Mariana R. Marques

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