Instituto de Cinema de SP

Um Mergulho na Direção de Arte

Seja no cinema, TV, publicidade ou games, a Direção de Arte é essencial para uma produção audiovisual. De maneira geral, tudo aquilo que você vê na tela, enquadrado pela câmera, é direção de arte. Sua função é fazer com que as histórias saltem do roteiro para se materializar diante do olhar do espectador.


Em uma produção, nada é por acaso. Desde a aparência e personalidade dos personagens, até a escolha de planos, busca-se um resultado visual que revele detalhes intrínsecos ao roteiro.


Dentro deste processo, a Direção de Arte é responsável por tornar realidade a idealização visual do filme. Busca nos mostrar - por meio da paleta de cores, figurinos e objetos de cenas - qual é o universo ao qual estamos sendo inseridos ao assistir aquela obra. É o Diretor de Arte o profissional responsável por gerir essa área, é quem define a identidade visual do filme, pensando os elementos que vão imergir o espectador na história, criando metáforas visuais e atmosferas específicas para as cenas.


O diretor de arte deve ser um profissional criativo, com a tarefa de materializar a proposta do filme em objetos, cenários, roupas, maquiagens e efeitos. É ele quem coordena, afina e harmoniza os elementos visuais  que compõem a cena, que então será iluminada e fotografada. É a partir de sua bagagem cultural e da sua capacidade de relacionar conceitos que o diretor de arte ajuda a contar a história do filme.


Além do diretor, a equipe de arte costuma ser composta por cenógrafos, cenotécnicos, pintores, figurinistas, maquiadores, cabeleireiros, produtores de objetos e técnicos de efeitos visuais - variando de acordo com o tamanho da produção e liberdades do orçamento.


Realizar a direção de arte de um filme é uma tarefa que envolve profunda pesquisa de referências, cálculo de custos orçamentários, gerenciamento de pessoas, técnicas de construção de cenários, e ainda um extenso conhecimento de história da arte, iluminação e fotografia.


Para uma boa direção de arte, é necessário que exista atenção máxima a todos os detalhes que aparecem nas cenas, uma boa composição de objetos em cena - de acordo com o enquadramento de cada plano -, extremo esmero de detalhes na confecção dos figurinos, uma excelente pesquisa de referências, ótimo trabalho de maquiagem e uma boa colocação da paleta de cor, tanto na cenografia quanto na pós-produção.


Se você tem interesse em estudar Direção de Arte, confira neste link o curso do Instituto de Cinema. Aqui, além da parte teórica, que apresenta os principais conceitos e elementos da Direção de Arte, o curso também possui fundamentação prática, focada na criação de um Projeto de Arte, o mais importante documento artístico da fase de pré-produção de um filme. E ainda, preparamos para você uma lista com excelentes filmes para conhecer e estudar essa tão importante área do cinema. Vem conferir!


Filmes para estudar direção de arte


O Grande Hotel Budapeste (Wes Anderson, 2014)


Da estética simétrica, onírica e impecável de Wes Anderson nasceu O Grande Hotel Budapeste. Assinada por Adam Stockhausen, a arte do filme utiliza uma bela variação de cores (predominantemente rosa/magenta), muitos tons pastéis, figurinos impecáveis e cenários extremamente articulados com a simetria da fotografia, atributos determinantes no desenvolvimento e ambientação da trama.


Memórias de uma Gueixa (Rob Marshall, 2005)


Os figurinos e cenários do filme são o ponto alto da obra que teve a direção de arte elaborada por John Myhre. Além de respeitar fielmente a época retratada, os cenários participam ativamente da narrativa em determinadas cenas. As roupas e maquiagens típicas das gueixas trabalham em conjunto com os objetos cênicos, dando cor e profundidade à trama.


A Lista de Schindler (Steven Spielberg, 1993)


Além do excelente trabalho de reconstrução de época, realizado pelo diretor de arte Allan Starski, que elevou o filme para um patamar histórico-real, em A Lista de Schindler podemos ver um excelente exemplo de como a cor pode ser utilizada para evocar sentimentos e carregar simbolismos.


Benzinho (Gustavo Pizzi, 2017)


A direção de arte de Dina Salem Levy em Benzinho é impecável do começo ao fim. Com ambientes saturados de objetos e cores - que demonstram a presença dos filhos na vida da protagonista - Benzinho é um lindo exemplo nacional de como a cenografia pode ajudar a contextualizar o espectador dentro do universo do filme e inclusive a contar a narrativa. 


O Aviador (Martin Scorsese, 2004)


Não há como não perceber o grande trabalho de Dante Ferretti na arte de O Aviador. Cada objeto de cena é primorosamente colocado em quadro para situar o espectador nos anos 1930, junto aos figurinos, maquiagem e penteados de época. Porém, o grande mérito da arte, que lhe rendeu um Oscar na categoria, está nas paletas de cor utilizadas no decorrer da história. Cada momento no decorrer da vida do protagonista é ambientado com uma paleta de cor diferente, de forma a retratar o modo como o cinema era feito nas diferentes décadas.


Lincoln (Steven Spielberg, 2012)


A direção de arte de Rick Carter, para transmitir uma atmosfera do séc XIX, utiliza uma paleta de cor opaca e sem muito contraste, figurinos de época e cenários muito bem trabalhados e caracterizações de personagens incrivelmente executadas, o que revela um ótimo e profundo trabalho de pesquisa de referências.


O Grande Gatsby (Baz Luhrmann, 2013)


O glamour e estilo dos anos 1920 pulam da tela em O Grande Gatsby, com a direção de arte realizada por Catherine Martin, podemos ver a confluência entre a época retratada e um olhar do século XXI. Os figurinos são impecáveis e extremamente fiéis à época, a cenografia tem muita cor e preenchimento, e a paleta de cores - tanto nos cenários quanto na pós-produção - é extremamente contundente e marcante.


Temporada (André Novaes, 2018)


A direção e arte de Diogo Hayashi, premiada no 51º Festival de Brasília, tem o mérito de transformar espaços comuns da periferia onde vivem os personagens em narrativa, fazendo intervenções de cor, texturas e objetos. Além de um filme visualmente lindo, Temporada é um ótimo exemplo de como a simplicidade também pode ser um excelente elemento a ser trabalhado nas produções.


 


Por Isabella Thebas

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