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Democratização do acesso ao cinema no Brasil: Enem traz tema extremamente pertinente para a redação 2019

No último domingo (03) fomos surpreendidos pelo tema a ser trabalhado na redação do Enem: Democratização do acesso ao cinema no Brasil. Era sobre o que os participantes deveriam discorrer durante a prova, o que gerou certo debate, dividido entre pessoas que concordam com a importância da discussão e outras que não a consideram.


Nós, como escola que trabalha todos os dias para um acesso mais democrático ao cinema, estamos aqui para expressar apoio e reconhecer a urgência de se discutir tal tema. Ele poderia, aliás, ser facilmente uma das pautas abordadas pelo nosso blog. Agora será! Aproveitando o fato da visibilidade que ganhou sendo instrumento de discussão em uma das provas mais importantes para nossa educação, vamos trazer essa reflexão para mais perto de nós. 


Muitas vezes as pessoas não pensam nas inúmeras arestas que o cinema têm. Para uma parcela da sociedade, acesso ao cinema é luxo, arte elitizada. Quem pode “luxar” o entende, muitas vezes, apenas como entretenimento. Apesar de ser uma das partes que o forma, o cinema é muito mais. Por isso pensar sobre o seu acesso é necessário. 


O cinema é capaz de nos atingir de diversas formas. Como entretenimento, ferramenta de impacto social, educação, libertação e muitas outras que podem mudar a vida de espectadores e realizadores. Essa forma de criação audiovisual é hoje uma das mais grandiosas em nosso país, e num ano em que o cinema nacional se sentiu tão ameaçado pelas mãos mais poderosas, ter a oportunidade de entender sua dimensão e o porquê de torná-lo mais acessível, é precioso.


Falar em democratização do cinema é pensar em como podemos levá-lo até mais pessoas. Sabemos que o ingresso para as maiores redes de distribuição são extremamente caros, e além disso, a quantidade de cidades brasileiras que possuem salas de exibição são pouquíssimas. Dados de 2016 divulgados pelo SNIIC (Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais) mostram que o país possui 3.189 salas de cinema, e esse número não é bem distribuído. 


Se pensarmos na quantidade de cinemas de rua que foram substituídos por igrejas e outros estabelecimentos, a chegada dos shoppings e televisores, vemos que esse acesso vem caindo durante décadas. Antes o espaço era considerado muito mais democrático. Hoje é como grande parte da população chama: elitizado. Dificilmente você consegue ir a uma sala sem desembolsar ao menos R$ 30,00 em um ingresso. Com a desigualdade social que o Brasil enfrenta, isso é absurdo. 


Além do preço de ingressos, é preciso considerar o acesso a salas. Como vimos, a distribuição pelo país não possibilita que muitas pessoas de pequenas cidades e periferias, por exemplo, tenham cheguem a esses lugares. 


O problema é que a falta de acesso distancia a população de discussões de importância social e cultural. Não ter a possibilidade de ir ao cinema, pensá-lo e discuti-lo, torna a vida mais pobre. Pensamentos são formados, entretenimento é entregue, política é discutida. A cultura sofre muito quando não existe acesso a qualquer tipo de arte. 


É por isso que precisamos pensar em políticas que o tornem mais democrático e acessível. Isso já acontece, mas muitas vezes passa despercebido, parece estar escondido. Projetos como o Circuito Spcine mostram que podemos chegar até lá. 


E, além de tudo isso, algo que precisamos discutir é o FAZER cinema. Quem tem o sonho de estudar a sétima arte e torná-la instrumento de trabalho, muitas vezes não encontra formas acessíveis de fazê-la. É por isso que o Instituto toca na tecla de tornar o ensino de cinema mais democrático e acessível. Por isso estamos aqui!


#somostodoscinema


Por Mariana R. Marques

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